quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016








Necessidade da Reencarnação


A  ideia da reencarnação é muito antiga, fazendo parte da tradição cultural e religiosa dos povos que constituem a humanidade terrestre. Não foi inventada pelo Espiritismo e foi confirmada por Jesus, em seu diálogo com o fariseu Nicodemos: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo,não pode ver o reino de Deus.” (João,3:3)No túmulo de Allan Kardec, em Paris, contem a inscrição que  resume o pensamento espírita  a respeito do assunto:   “Nascer, morrer, renascer , ainda e progredir sem cessar, tal é a lei (a citação consta também do livro O que é o Espiritismo). Encarnar, para os que acatam esta doutrina, refere-se ao primeiro nascimento do Espírito em um corpo físico, ou em determinada Humanidade. Reencarnar, diz respeito aos renascimentos sucessivos do Espírito, em um mesmo Planeta ou em outros. Assim, Deus impõe aos homens a “encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. […] Mas para alcançarem essa perfeição, têm de sofrer todas as vicissitudes da existência corporal […].”1



A encarnação tem ainda outra finalidade: a de por o Espírito em condições de cumprir  sua parte na obra da Criação. Para executá-la é que, em cada mundo, ele toma um instrumento [corpo físico] em harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de nele cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É dessa forma que, contribuindo para obra geral, ele próprio se adianta. 1A reencarnação é aceita como lei natural, que favorece a evolução do Espírito. Em cada existência corpórea, o Espírito recebe oportunidades para reparar equívocos comentidos em existências anteriores e para desenvolver novos aprendizados. Cada reencarnação é precedida de um planejamento, que permite ao reencarnante renascer no meio propício e junto a pessoas onde se faz necessário desenvolver aprendizados e os acertos espirituais.A reencarnação expressa a justiça e a misericórdia divinas que, não condenando o infrator — tal como apregoa algumas interpretações religiosas — concede ao Espírito a oportunidade de corrigir erros, cometidos devido à própria ignorância de não saber medir as consequências das próprias ações,  magoando ou prejudicado pessoas.Nesses termos, a reencarnação é, por princípio, o reajuste da consciência culpada perante as leis sábias e amorosas que governam o Universo. Ninguém dela está livre.


                É processo superior de aquisição de felicidade a que está destinada todas as criaturas, por efeito de sua herança divina: “A passagem dos Espíritos pela vida corporal é necessária para que eles possam cumprir, por meio de uma ação material, os desígnios cuja execução Deus lhes confia.”1Os reajustes promovidos e viabilizados pela reencarnação assumem a forma de provas e de expiações, sempre de acordo com os erros cometidos e no âmbito da aquisição moral e intelectual de cada indivíduo. As provas são obstáculos naturais, impulsionadores do progresso. Já as expiações são provas mais difíceis, dolorosas, a que o Espírito se submete, decorrentes de um endividamento maior. As reparações reencarnatórias ocorrem, então, segundo os ditames da lei de causa e efeito, mas a quitação da dívida pode ser feita pela dor (provações/expiações) ou pela prática do amor, segundo ensinamento do apóstolo Pedro: “Tendo antes de tudo ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de  pecados.” 1, Pedro, 4:8.Referência

  1. KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. O Livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010, questão 132, p.147.


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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016











EUTANÁSIA: O ESPIRITISMO NOS FAZ PENSAR SERIAMENTE SOBRE O QUE É A VIDA"


Uma Doutrina aberta à reflexão como a que nos deixou Allan Kardec permite que acompanhemos as grandes interrogações da atualidade, porque em seu tríplice aspecto - Ciência, Filosofia e Religião - estimula a capacidade de se buscar compreender as Leis Divinas com base numa fé raciocinada, condição imprescindível para a evolução do Espírito e o progresso da Humanidade.

Jornal Espírita - Primeiramente, vamos conceituar. O que é eutanásia? 



A idéia principal é a de se abreviar a vida. Muitas vezes até por se ter pena da pessoa que está sofrendo.

David - A concepção grega de tanatos quer dizer morte, ou deus da morte; e o eu indicando boa, significando, portanto, boa morte. Acontece que essa boa morte é uma visão associada exclusivamente ao corpo, porque subentende-se boa morte como morte sem dor, sem sofrimento, sem angústia. O conceito atual de eutanásia seria a facilitação ou a indução, a provocação da morte física, quando considera-se que a doença não tem mais cura, não tem mais tratamento e a manutenção da vida, além de artificial, implicaria supostamente em sofrimento para o paciente.

JE - Marcos, aproveitamos para perguntar: isso é legal?

Marcos - No Brasil, não existe nada na parte legal com relação à eutanásia. Entende-se que o que está praticando a eutanásia está cometendo um homicídio mesmo. Ele estaria previsto no artigo 121 do Código Penal, quando no caso em que o paciente estiver em sofrimento e o médico sentir dó, coisas desse tipo, ou aplicar algum tipo de medicamento que venha abreviar a vida da pessoa. Se for a pedido do paciente, ele poderia estar incluso no artigo 122, que seria uma instigação, um auxílio ao suicídio. E se ele deixar a pessoa morrer, estaria incluso no artigo 135, que caracteriza uma omissão de socorro.

JE - Como espíritas, vamos pensar se é lícito abreviar a vida e, também, tentar definir o que é essa vida?


Vannucci - Até há algumas décadas, só se podia abreviar a vida, mas com os avanços da Medicina, agora pode-se também prolongar a vida. Artificialmente, pode-se manter um corpo com um coração batendo, pode-se ter o corpo ainda funcionando, mas o Espírito pode não estar mais ligado a ele. A Humanidade chegou a um ponto em que precisa pensar tanto, na questão da abreviação, quanto da extensão da vida. Se isso vai trazer sofrimento para o Espírito antes ou depois depois da desencarnação.

JE - Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, quando se pergunta se é lícito abreviar a vida de um doente que sofre sem esperança de cura, o Espírito São Luís diz o seguinte: "e quem lhes daria o direito de prejudicar os desígnios de Deus?"

David - Há um contra-senso de palavras. A gente está falando de morte, mas ainda não temos definição e conceituação de vida. É uma situação esquisita, por que se está colocando a carroça na frente dos bois. Vamos considerar o caso mais recente, da americana Terri Schiavo. Literalmente, segundo nosso advogado Marcos, o caso não é previsto no Código Penal Brasileiro. Foi o que fizeram. A mulher foi morta por fome e sede. Isso, aqui, é assassinato. Alguém pode argumentar: "Ela estava em vida vegetativa". Mas, se vida vegeta-tiva não for considerada vida, então, vamos acabar com qualquer campanha ecológica neste Planeta, porque boa parte dos trabalhos dos ecologistas são formas de vida que derivam da idéia de vida vegetativa, aquela que só cumpre função mecânica. O que difere a espécie humana é a nossa vida moral, nossa vida ética. Mas onde começa a vida e, principalmente, onde está a vida moral? Se a Ciência pudesse comprovar que a vida moral existe apenas no homem e essa vida moral está atrelada ao corpo físico, a eutanásia seria a coisa mais lógica e pertinente do nosso mundo, mas isso não é comprovado. Mesmo que nós nos abstraíssemos da visão espírita, a Ciência, pura e simplesmente, não conseguiria definir o que é vida moral, vida ética, quando surge a consciência, o que é consciência, onde a consciência está inserida, quando a consciência deixa de ser, para poder dizer: "aqui não tem consciência, então, pode-se eliminar a vida vegetativa".

JE - Marcos, nós temos penas para o homicídio no Brasil, mas não para a eutanásia. Como é que vamos resolver isso?

Marcos - O artigo 121 descreve um homicídio culposo. O Código prevê a detenção de um a três anos e a pena pode ser aumentada de um terço, se o agente deixar de prestar imediato socorro. No caso da instigação, o induzimento ou o auxílio ao suicídio, a pena seria de dois a seis anos de reclusão, podendo ser aumentada, se a vítima é menor ou tem diminuída por qualquer causa a capacidade de resistência. No caso de omissão de socorro, a detenção é de um a seis meses, podendo ser triplicada, se resulta em morte no caso de omissão de socorro, que é abandonar ou deixar de prestar assistência à pessoa inválida ou ferida. Como o David estava falando, a eutanásia é considerada como boa morte. Ultimamente, ouvimos falar muito em morrer com dignidade. Mas é estranho se falar em morrer com dignidade, quando existem tantas pessoas vivendo sem dignidade, nas ruas, necessitadas de todos os gêneros, com problemas de desemprego. A gente vive praticamente indigno nesse mundo. Nós, espíritas, temos a consciência de que vivemos num mundo de expiações e provas. Mas somos às vezes muito insensíveis, quanto às necessidades do próximo. O que devemos ter como norma é o entendimento da Doutrina Espírita. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo 5, Santo Agostinho explica muito bem: a vida tem um sentido e o sentido dela não é material. Se entendermos que vamos nascer, passar por várias situações, morrer e tudo irá se acabar, a vida não terá sentido. O sentido da vida é espiritual, por isso que a gente tem que ter fé e esperança até o último momento. E até quando é necessária a nossa vida? Podemos viver com boa ou má qualidade. Mas para esse aprendizado todo, até quando servimos? Ora, tudo é interessante. Até o último segundo. Muitas vezes, nos momentos mais difíceis, de agonia, de ficar numa cama num estado terminal, a última coisa que vai restar a esses doentes é pensar... nada além do que pensar... E é talvez naquele instante que ele possa até fazer uma reflexão de seus próprios atos.

JE - Mas, como é que a gente sabe sê o Espírito vai sofrer mais ou menos: libertando-se logo do corpo físico ou ficando ainda ligado, embora com os laços perispirituais mais frouxos, mas não totalmente desligado, preso a uma vida vegetativa, por 20,30 anos? 

Isso não pode se prolongar eternamente, vai ter que ter um fim...
Vannucci - Eu acho que a gente tem que olhar casos mais específicos, para podermos pensar melhor sobre eles. Antes de falarmos do Espírito desencarnado, vamos falar do encarnado, para estendermos mais um pouco o assunto. Há pesquisas recentes, por exemplo, que falam sobre a morte cerebral. Há estudos citando que na morte cerebral, se for retirado o cérebro, pode-se recuperar quase a metade das pessoas. Há muitas dúvidas sobre a morte cerebral e a morte encefálica. Perguntas como, por exemplo, se a morte cerebral é mesmo o melhor critério para a morte. Sabe-se de uma briga jurídica na Inglaterra, entre os anestesistas. Eles indagavam se era certo se proceder a retirada dos órgãos para transplantes sem anestesia, porque muitas vezes, quando ia-se cortar com o bisturi, o corpo reagia, o batimento cardíaco aumentava, indicando possivelmente uma reação frente aos cortes para a retirada de órgãos. Acontece que se aplicassem a anestesia, indicaria que o paciente não estava morto e, no caso, seria então um caso de eutanásia. E realmente um assunto muito complexo, que precisa ser discutido com mais detalhes.
David - A orientação do Ministério da Saúde no Brasil estabelece parâmetros clínicos e instrumentais para a definição de morte cerebral. Não é só uma observação clínica. A orientação para a autorização de transplantes, por exemplo, implica em que o suposto doador seja avaliado no intervalo de 12 horas por três profissionais diferentes sobre o ponto de vista clínico. Se os três derem o mesmo parecer clínico, é acionada a Unidade de Transplantes. Um profissional dessa unidade vai fazer, também, uma avaliação clínica. Se ele ratificar a informação dos primeiros médicos, ele vai encaminhar esse suposto doador para a investigação laboratorial. A orientação do Ministério da Saúde pressupõe, no mínimo, duas documentações instrumentais e exames laboratoriais. Um eletro-encefalograma e uma angiografia cerebral. Cada exame desse tem que dar um padrão que ofereça condições de informar a morte cerebral. Isto feito, a família é comunicada dessa situação, é perguntado à família se o paciente tinha o interesse em doar órgãos ou não e, se a família concordar, é desencadeado o processo. Nesse paciente, ainda com vida vegetativa, são colhidos o sangue e outras amostras de tecido, para ver a compatibilidade diante da rejeição, sendo chamados os primeiros receptores compatíveis da fila. Quando todas essas condições estão preparadas, é que se aborda o doador, para a retirada do órgão.
JE - Já houve retorno à vida de alguém que teve a morte cerebral diagnosticada?

David - Eu não conheço, dentro da nossa legisJação, do nosso processo de orientação...

JE - E os casos de se aliviar os sofrimentos com a sedação dos doentes em fase terminal, isso também não é acelerar a morte?

David - A gente tem que separar analgesia de sedação. A analgesia implica em suprimir a dor e é possível em tratamentos terminais, principalmente em pacientes oncológicos, que têm dores importantes. Significa aliviar a dor sem suprimir a consciência do paciente. A sedação implica em suprimir a consciência.

JE - Isso não é permitido?
David - Eu não conheço o Código Penal, mas acredito que não. Também não seria ético. O nosso Conselho Regional de Medicina e os centros que trabalham com dor falam de analgesia. Há orientação, sim, de medicação para aliviar a dor. Não tem porque o indivíduo vivenciar uma dor angustiante até o último momento. A dor pode e deve ser aliviada, se nós temos medicamentos que permitem isso, sem comprometer a consciência do paciente.

JE - Vamos tentar agora considerar essa parte técnica, relacionando-a com a Doutrina Espírita, que é o nosso principal propósito. Como analisar tudo isso, sabendo-se que o Espiritismo é contra a eutanásia?

David - Se formos pensar apenas em termos éticos, vamos colocar as coisas no seguintes termos: a nossa sociedade é donista, é corpólatra. Ela vive para o corpo e pelo corpo. Valoriza-se a morte digna. Mas a vida foi indigna. Na hora de morrer, não pode ter sofrimento físico, ele precisa ser abolido. Mas sofrimento moral, degradação moral na vida inteira, isso é normal. Essa visão é imoral, tremendamente imoral, porque a propositura que está por trás é a seguinte: enquanto temos saúde, vamos aproveitar o corpo. Viva o prazer! Na hora em que não se puder mais ter prazer através do corpo, descarta-se o corpo. E a discussão caminha mais ou menos neste contexto. Então, antes, vamos definir vida, dignidade na vida. Em segundo lugar, um problema dos tempos modernos, voltar àquele conceito que se tinha no tempo de nossos avós, de que a morte era considerada um evento normal, fazia parte da vida. Os indivíduos morriam em casa, ao lado de seus familiares, naturalmente. A morte foi tirada de casa, foi colocada no ambiente estéril do hospital, e vê-se apenas o seu lado físico: parar com a dor, parar com o sofrimento. Mas, e o lado emocional desse sistema, nessa passagem, nessa experiência, não estaria sendo desprezado?

JE - Vocês acham que isso tem a ver um pouco com o orgulho ou algo parecido, para se buscar morrer "dignamente"?

Marcos - Eu não sei se seria o orgulho, acho que é a própria visão errada que se tem da vida, que é uma visão material. Estamos aqui para viver e, às vezes, nem sabemos o porquê e vivemos até sem razão. O David falou muito bem. Ou seja, a gente vai vivendo a vida sem sentido e, depois, devido a um certo sofrimento, acha-se que não é interessante viver mais. E sempre associamos sofrimento com doença. Existem diversos tipos de sofrimento. Há pessoas sofrendo com muita saúde. São situações de sofrimento moral, mas o sofrer ainda está ligado a doenças. Acho que a gente tem que dividir as coisas, ou se vê a vida de forma material e se tem a morte como um fim, ou a gente apenas desencarna e tem essa visão mais espiritualizada da vida. E o sentido da vida que estávamos falando antes, o sentido que é espiritual, pois a nossa vida aqui é transitória. Por mais que você esteja bem, aproveitando a vida, você também vai morrer. Morrer não é sofrer.

JE - Sim, a vida é transitória, mas a dúvida é justamente em função de termos um Espírito ligado a esse corpo físico. Então, o que nós podemos fazer com esse corpo, para esse Espírito ficar mais feliz?

Marcos - Essa situação de Espírito e corpo é uma relação importante que precisa ser melhor compreendida. Ora, qual é a visão espírita do deficiente mental? O que é que estaria aprendendo ele ou o louco de todo o gênero, aquele que não tem o raciocínio de nada, já que na vida temos que evoluir intelectual e moralmente? Dá a impressão, por uma visão limitada, que a pessoa não está vivendo. E a gente sabe que na Antiguidade havia, em alguns países, a tendência de se eliminar as pessoas que tinham alguma debilidade mental ou deficiência física. A visão espírita é outra. Sabemos que há algum motivo para que aquele Espírito esteja ali, animando aquele corpo, naquele momento, naquela situação. O corpo físico é só seu instrumento. Essa é a crença.

JE - É crença ou é razão?
Marcos - Como a Doutrina Espírita tem um aspecto filosófico, vejo muita razão nisso. É próprio da evolução do Espírito. Agora, quem não vê evolução em nada, só vê a vida no dia-a-dia, essas coisas vão parecer um absurdo.

JE - Como a Ciência se comporta diante dessa discussão, uma vez que ela só considera a vida no sentido material?

Vannucci - O papel da Ciência é investigar. E aqueles que não aceitam fazer uma transfusão de sangue e morrem sem aproveitar dos recursos, porque isso vai contra os seus princípios religiosos? Se está assim, então, vamos fazer como antigamente? Será que a Ciência precisa buscar novas técnicas, novas maneiras? O assunto é realmente complexo. Vejo que não tem uma solução definida. A Ciência busca alternativas, mas, por exemplo, para se manter uma pessoa por vários anos com aparelhos sofisticados, o dinheiro investido aí é outro assunto interessante a ser analisado. Se você fosse investir essa quantia em saneamento básico e na melhoria de vida da população de menor renda, subnutrida, que morre até por tuberculose não tratada, por sarampo etc... Vamos ver que à dïs-cusão não é tão simples. É claro que a Ciência precisa progredir, não se pode bloquear a Ciência. Mas ela e os cientistas em todas as áreas têm que ter um certo cuidado ético-moral, porque não é simplesmente em nome da Ciência que você pode fazer qualquer coisa, pois pode-se cometer erros muito graves. Eu até trouxe o livro Obreiros da Vida Eterna, de André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier - FEB, que tem um caso específico. O Jerônimo e o André Luiz vão trabalhar na desencarnação de algumas pessoas e uma delas, o Cavalcanti, está a alguns minutos da morte. Ele só não desencarnou antes, porque tem medo de morrer e se apega ao corpo. Os mentores espirituais tentam dar um jeito de desatar os laços fluídicos, até que vem um médico e lhe aplica uma injeção calmante. Parece até que seda a pessoa e André Luiz fala que, para o pesar do seu orientador espiritual, a injeção aplicada atrapalhou muito o processo de desencarnação, pois amorteceu as células do corpo e amorteceu também o Espírito, que só pôde continuar o trabalho 20 horas depois.

Marcos - Eu acho que a Ciência tem que ter total liberdade para trabalhar, porque ela precisa descobrir as coisas. Diz-se: mas a pessoa está naquele estado, será que a Ciência não vai descobrir um remédio para sua doença, para reverter a situação? É como o David falou, o médico tem uma grande responsabilidade no que faz e precisa de mais de um médico para dar uma conclusão sobre determinado paciente, um estado irreversível, que a Ciência naquele momento não tem meios de resolver. Ninguém vai descobrir um milagre de um dia para o outro. A Ciência tem que continuar trabalhando nisso. Se um dia os cientistas descobrirem uma fórmula de trazer o Espírito ao corpo (risos) ou qualquer coisa neste sentido, maravilha! A gente não sabe os desígnios da evolução espiritual. Quem sabe, precisamos ficar mais tempo aqui encarnados! Até o momento, ainda não temos determinadas conclusões. O que sabemos hoje é que o indivíduo pode chegar ao estado terminal, deplorável, às vezes, mas que isso também tem um sentido. Tudo o que a gente passa é para o nosso crescimento espiritual. Aí é que vem a explicação da Doutrina Espírita. Tudo está servindo para crescermos espiritualmente. Por isso, para um sujeito que está numa cama 24 horas por dia, só olhando para o teto, só restou a ele a opção de dormir e pensar. Ele poderá estar naqueles instantes concluindo alguma coisa, desta ou da vida anterior, talvez valorizando o que tinha e deixou de aproveitar, transformando seus valores. Essa transformação é o que é mais interessante para ele. Essa reflexão sobre a vida é mais real do que o próprio corpo que está ali.

JE -

David - Existem relatos de todos os tipos de pacientes em estado de coma e de quando eles retornam desse estado. Curiosamente, essas experiências podem ser agrupadas em três grandes grupos: o grupo dos indivíduos que dizem que dormiram o tempo todo e não se lembram de absolutamente nada; o , grupo dos pacientes que dizem que ficaram acordados, presentes na UTI, acompanhando o corpo e o que estava acontecendo; e o grupo daqueles que viajaram, foram ver luzes, túneis, outras pessoas com quem conversaram e depois voltaram para o corpo. Os três grandes grupos acabam definindo três grandes perfis, três grandes maneiras de viver: o grupo do indivíduo materialista, que só vive a vida material, sem nenhuma percepção de vida espiritual e que sem o instrumento físico não tem percepção de consciência; o grupo que até já ouviu falar de Espírito, mas está mais preocupado com a balada do sábado à noite e ao se ver do lado, meio perdido, meio confuso, ouve as coisas, vê o que está acontecendo sem entender nada; e aquele indivíduo que tem uma concepção espiritual e, nesse momento, estabelece outros contatos.

JE - A gente sabe que Ciência e Religião têm que andar juntas. E Kardec disse que quando a Ciência demonstrasse algum erro (demonstrasse, não mostrasse) que a gente ficasse com a Ciência. Eu pergunto para o Vannucci: tem limite nisso?

Vannucci - Vou dar um exemplo bem específico. Essa idéia da clonagem. O filho está com problema de fígado, precisa de um transplante, não tem doador. Se a gente pegar uma célula dele, um núcleo, colocar numa outra célula, gera-se um corpo, para que depois se retire o fígado para transplantar no filho doente. Tem gente querendo fazer isso, pode ser tentado. Acho que a possibilidade disso acontecer é grande, porque já se consegue clonar ovelhas, cavalos... é uma questão de tempo. Agora, vêm as perguntas que importam: isso é ético? vai contribuir para o avanço espiritual da Humanidade? Há quem diga: "mas, se não for uma coisa boa, o plano espiritual não vai deixar acontecer, o plano espiritual vai vigiar". Não é verdade, pois Jesus disse que os escândalos seriam necessários, mas ai daqueles que os provocassem. Precisamos sempre lembrar que estamos num planeta de provas e expiações.

JE - Mas isso seria um escândalo? Ou um progresso?

Vannucci - O plano espiritual apro veita tudo. As grandes guerras trouxeram grandes avanços tecnológicos e científicos. E só por isso vamos provocar guerras? A guerra é um escândalo. Traz progresso, claro, mas não é por isso que vamos fomentar a guerra. 

JE - Toda essa conversa nos faz pensar que realmente a gente está passando por uma crise significativa, devido à falta do despertar espiritual. Eu queria que vocês fizessem as conclusões finais sobre tudo o que foi discutido.

David - A crise é invenção nossa. E é recente. Tem uma obra de um grande filósofo do século 20, chamado Karl Popper, intitulada Eu e o seu Cérebro,onde ele discute o problema corpo/mente, a relação portanto entre o Espírito e o corpo. Ele faz a seguinte analogia: até Descartes, no século 17, essa conversa não tinha nenhuma razão de ser. Seria ilógica, seria totalmente sem pé e sem cabeça, porque até aquele momento o Espírito, a alma humana, era uma realidade; o corpo humano era outra realidade. A interação dos dois era fato. Como interagir, a maneira de interagir, — era outros quinhentos. A Filosofia era toda dualista e interacionista. O próprio Descartes se definiu assim. Os pós-cartesianos é que começaram a fragmentar. Então, um grande antagonista dos cartesianos, por exemplo, Baruch Espinosa, saiu do dualismo-interacionismo e fez uma proposta de paralelismo, onde corpo e espírito seriam dois aspectos diferentes da mesma substância. Curiosamente, foi esse o modelo filosófico que mais agradou à Medicina. E é o modelo filosófico que a Medicina usa até hoje. Encontramos, no meio médico, literatura fartíssima sobre isso. Algumas delas conseguiram ganhar status de best-seller entre os autores não médicos, advogando que toda a nossa atividade mental, tudo o que nós pensamos, sentimos, vivenciamos, é fruto do nosso metabolismo cerebral. Esse tipo de propositura não me agrada nem um pouco, porque eu não gosto de ser considerado uma sopa bioquímica. E não me agrada a idéia de que na verdade eu não amo a minha esposa. Que o que sinto é simplesmente uma questão de interação molecular do meu cérebro, que faz com que eu tenha a ilusão de que eu amo a minha esposa.

Marcos - Corpo e alma precisam interagir. E se os dois estão juntos, existe um porquê. Um o Espírito que se sabe, que é eterno; o outro, é o corpo servindo ao Espírito. É um posicionamento doutrinário lógico. O corpo servindo ao Espírito, com toda certeza como matéria vai se deteriorando, sujeito às doenças. Mas todas essas situações facilitam o crescimento do Espírito. Algumas ainda nos parecem absurdas, às vezes. Se nós queremos achar a razão da expressão boa morte em questões desse tipo, vamos passar, sem perceber, a um processo de eugenia, à busca de uma coisa perfeita, aqui na Terra. Temos que tomar cuidado, pois podemos cair em situações piores como a eutanásia A forma de viver dignamente é a forma que a pessoa escolheu. E a reflexão, ela tem até o último segundo da sua vida. Temos que dar essa liberdade a ela. O suicídio no Brasil não é considerado crime. O induzimento ao suicídio, sim. A pessoa tem a liberdade de fazer o que quiser. E vai responder pela forma como agir.

Vannucci - Eu acho que todos nós vamos passar por problemas e vamos ter que tomar decisões. É claro que só vai passar por situações mais complicadas quem tiver uma prova, uma experiência necessária a sua evolucão. Mas de qualquer forma, vai ter que tomar uma decisão. E a decisão tem que ser tomada segundo a consciência, olhando inclusive o bem-estar da criatura, não só sob o ponto de vista material, mas principalmente espiritual. A maior parte da preocupação deve ser com o que vai acontecer depois. E é claro que surgem dúvidas. Acho que tem que haver o conhecimento adequado de tudo o que está acontecendo, de todos os pontos de vista, para depois se tomar uma decisão. Agora, o importante é que, tomada a decisão, não se torture de culpa.

JE - Essa decisão deve se basear na lei do amor...

Vannucci - O amor tem que reger tudo.

Marcos - Há diferentes formas de se ver com amor. Ë a gente vai buscando a verdade segundo o que entendemos da vida. Cada um tem a sua personalidade pelas experiências que já viveu e vai fazendo a sua vida de acordo com o que entende que é melhor para si. Amar com o melhor entendimento. E responder por aquilo que faz ou deixa de fazer. É assim que se promove o aprendizado, o aperfeiçoamento e a evolução.
David - As decisões têm que ser regidas pela Lei do Amor, mas não pode ser o nosso amor mundano, que impera nas ruas. Tem que ser o amor como era defendido, ensinado e pregado por Jesus. Aquele amor eterno, aquele amor que submetia-se à vontade de um Pai amoroso, que buscava cumprir Sua vontade. Aquele amor que era manso, pacífico e tolerante. Senão nós vamos começar a misturar, confundindo-o com o nosso egoísmo, com o nosso orgulho. E aí vamos ter grandes desvios.

Entrevista e edição: Eliana Ferrer Haddad
Transcrição da fita: Altamirando Carneiró
Fotos: Frank Gemina

Debatedores:
1- Álvaro Vannucci - Físico e professor da Universidade de São Paulo, pesquisador espírita, colabora na Casa Espírita Maria de Nazaré e no Centro Espírita Caminhos de Luz.
2 - Marcos Roberto Carvalho Barbosa - Advogado, expositor espírita, trabalha na Área de Ensino e na Área de Assistência Espiritual da Federação Espírita do Estado de São Paulo.
3 - David Vieira Monducci - Médico neuro-cirurgião e professor universitário. Expositor espírita da Área de Ensino e da Área Federativa da Federação Espírita do Estado de São Paulo.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016








O aborto na adolescência

aborto na adolescência é uma decisão que vai trazer um grande impacto à vida da adolescente em questão. Algumas adolescentes optam por ter o bebê, outras preferem recorrer a uma interrupção voluntária da gravidez (IVG) por vários motivos.
No entanto, um aborto para  travar uma gravidez na adolescência tem muitos riscos. Entre outros o aborto pode levar a um aumento da possibilidade de câncer de mamadoenças inflamatórias pélvicasdepressão e a contração de hepatite viral, como até a morte por hemorragia excessiva ou outras complicações.

Aborto = tema tabu

aborto ainda é um assunto tabu, pois em alguns países é permitido em outros não. Para além das consequências a nível físico, ele tem outras incidências a nível psicológico. Estados depressivosarrependimento e tentativa de suicídio são alguns dos fatores que registram uma percentagem mais elevada quanto aos problemas emocionais no período pós-aborto.Se está numa dessas situações, aconselhe-se primeiro com o seu médico. Ele, melhor que ninguém, lhe ajudará a tomar uma decisão. Consoante a sua idade, o seu peso, a sua origem, o especialista pode indicar e explicar tudo o que deve saber sobre este procedimento.

Gravidez na Adolescência


           
 Boa noite!  Que a doce paz de Jesus nos envolva a todos e que possamos sempre tirar grande proveito do tempo que dispomos e que será sempre um grande recurso a nos favorecer. A gravidez na adolescência é um dos grandes desafios da atualidade, dizemos um dos grandes, pois, sabemos que existem outros maiores, e a gravidez dentro de tantos seria o menor desses desafios. Qual pai, mãe, amigo ou educador se tivesse que fazer uma escolha iria preferir saber sua filha ou filho frente a uma maternidade ou paternidade a vê-los envolvidos pelas drogas, pelas doenças que levam a morte, por não ter cura. Quando se dá início a uma desditosa fuga, outras ocorrências criminosas terão lugar, porque desde que se perdeu a identidade moral vai deixando-se arrastar a novos precipícios. É urgente despertar nos jovens os valores do sexo e da vida, de que o sexo existe em função da vida e não a vida em função do sexo, que o sexo é patrimônio do espírito e que se deverá ter para com ele o mesmo carinho que se tem por qualquer outro órgão, que um dia deveremos dar conta de tudo que possuímos e que nos foi dado por empréstimo. O sexo é um órgão que tem função específica e é portador de exigência graves na área dos deveres, que irão aparecer como conseqüências do seu uso. Que ao se envolver com alguém você cria vínculos que não poderão, ou melhor, não deverão ser rompidos levianamente, pois muitas tragédias têm início nas rupturas abruptas da afetividade despertada pelo interesse simplesmente sexual. A incidência de gravidez na adolescência é grande e assustadora e não ocorria, digo não ocorria dessa maneira como acontece nos últimos anos, esse fenômeno sexual que podemos dizer não atinge somente o jovem, mas também o adulto que ainda não processou um amadurecimento mental e espiritual correspondente à idade. Porque amadurecer é difícil, dá trabalho. Não será porque a prática da sexualidade vem sendo promovida como o valor máximo a ser alcançado por homens e mulheres, independente da idade que possuam. Você precisa ser bom ou boa na prática do sexo, quanto melhor, mais homenagens. Estamos vendo casamentos serem desfeitos depois de 10, 20 ou mais anos de casados, onde um dos cônjuges está correndo atrás de suas fantasias, mostrando que não houve amadurecimento necessário para enfrentar esse fenômeno e que faz parte de um contexto de coisas divulgadas pela mídia, de que você só alcançará felicidade quando adquirir esse ou aquele produto que você tem até consciência de que não. Na adolescência os interesses estão girando em torno da identidade, sexualidade, afirmação da personalidade, além de outros fatores gerados pelos meios de comunicação que mostra claramente aos jovens que seu valor está calcado em se ter um físico perfeito, que você tem poder quando consegue seduzir, que você é poderosa ou poderoso na arte da conquista, que você recebe grandes homenagens da sociedade na arte do sexo, vemos claramente nos canais competentes a troca de relacionamentos, a total desvalorização de sentimentos, mostrando claramente que se você sente vontade de seduzir ou se realizar não importa os meios, não importa se é amigo ou namorada ou namorado do amigo ou amiga, cunhada etc... importante que seus objetivos sejam alcançados e aí insistimos que o homem não pode ser um produto do meio, o homem é fruto da educação. A adolescente não sai de casa para transar, pois o jovem sexual-mente ativo, já se previne de antemão, acredito que o que surge é o arrastamento e ele não quer ficar fora do grupo, não quer se sentir diferente. O jovem sai de casa para encontrar-se com o grupo e a pressão acontece e ele não sabe dizer NÃO. É necessário o amor e a informação de qualidade, mostrar que a realização do ser humano não está na prática sexual, que o que faz uma relação rica e satisfatória para ambas as partes, não é somente a prática do sexo, que o companheirismo, a confiança etc... tem valores mais reais. A adolescente não sai de casa para transar, pois o jovem sexual-mente ativo, já se previne de antemão, acredito que o que surge é o arrastamento e ele não quer ficar fora do grupo, não quer se sentir diferente. 

                       O jovem sai de casa para encontrar-se com o grupo e a pressão acontece e
ele não sabe dizer NÃO. É necessário o amor e a informação de qualidade, mostrar que a realização do ser humano não está na prática sexual, que o que faz uma relação rica e satisfatória para ambas as partes, não é somente a prática do sexo, que o companheirismo, a confiança etc.. tem valores mais reais. Necessário passar para os nossos jovens que uma boa relação sexual é com alguém que tem algum valor para nós, com alguém a quem alimentamos e somos alimentados, com alguém que podemos trocar energias, pois o sexo é transfusão de energias psíquicas. A educação global, mas principalmente a educação sexual tem regime de grande urgência, ao lado de um programa de dignificação da função genésica muito barateada por atormentados, que se tornam muitas vezes ídolos da grande massa juvenil, e que muitas vezes fugindo dos próprios conflitos, estimulam o uso desordenado. Muitas vezes criaturas perversas, procuram influir na conduta juvenil, colocando todos no mesmo nível de comportamento estranho e inquietador, deixando-os insaciáveis, cínicos e insatisfeitos, e vão afirmando que a única função da vida é o prazer imediato, que a vida é curta, e o sexo e as drogas são válvulas de escape para a insegurança, a insatisfação e o fracasso de que se sentem possuídos, mesmo quando se sentam. Quando os sentimentos não estão maduros e o desconhecimento da função sexual é total, o ato não corresponde a expectativa ansiosa do adolescente, que se sente roubado, receia novas experiências ou se precipita em outras tantas para tentar descobrir encantamentos e prazeres que as pessoas tanto se referem com entusiasmo e que eles por inexperiência física e mental não detectaram. Pois a vida real é diferente. A maternidade é o momento superior de dignificação da mulher, quando faltam os valores do sentimento e da razão que se conjugam para o engrandecimento da vida. Faltando à adolescente, experiência e conhecimento dos valores existenciais durante a gravidez, o período é atormentado, sendo transmitido ao feto inquietação e desassossego, quando não a revolta pela concepção indesejada. Quando destituídos do sentimento de amor, que poderia unir os futuros pais, são as futuras mães deixadas à mercê da família ou da própria sorte, trazendo ao mundo os desamparados rebentos que experimentam a orfandade, não obstante os pais permaneçam vivos. A maternidade na adolescência é dos mais tormentosos fenômenos que o sexo irresponsável produz, face às conseqüências que gera. Muito raro acontece a compenetração maternal ou paternal, quando se trata de Espírito afim, que volve ao regaço de afetividade de maneira inesperada, recompondo o passado de lutas e pesares, com que ambos se encontram nos caminhos do amor: mãe e filho. 

              Que bom seria se todas as crianças chegassem ao mundo com um preparo conveniente. Que a sua espera estivesse uma família muito bem estruturada e em condições de educá-la. Condições, mais morais do que financeiras. Quando estivermos maduros o suficiente de não nos entregarmos a relacionamentos fortuitos e levianos. Mas como a Providência Divina usa até os nossos equívocos e os transforma em socorro à nossa caminhada. Quando surge o fruto não planejado de um relacionamento, quem sabe se essa criança não estará vindo para chamar os pais a assumir uma atitude mais responsável diante da vida? E se não houver condições financeiras adequadas, à criança não será justamente um motivo de luta para o trabalho e o desenvolvimento do pai, da mãe ou de ambos? No caso de impossibilidade de construção de família dos pais, quem sabe não se trata de um Espírito que deveria mesmo renascer como filho dessa mãe ou desse pai, mas vendo que não lhe seria possível reencarnar na família que deveria ter sido formada e não foi, aproveitou as circunstâncias que foram apresentadas. Ou quem sabe se o Espírito decidiu-se a vir justamente para provocar a união desses pais? Quem sabe se trata de alguém muito que-rido e que venha com a missão de elevá-los? Mesmo quando um dos responsáveis abandona o seu dever e nega-se a assumir a responsabilidade - o outro embora com muitos sacrifícios, deverá assumir, pois na prática do dever, o ser humano pode sempre esperar a ajuda do Alto. Pior para o que recua diante da responsabilidade, melhor para àquele que a cumpre a qualquer custo. Orientar o adolescente quanto aos valores do sexo, ante a vida e o amor, é dever que todos nós, devemos nos impor, auxiliando a mentalidade juvenil a encontrar o rumo de segurança para a felicidade, sem cargas aflitivas provindas de leviandade. (t)

Perguntas/Respostas:

[1] A gravidez na adolescência deve ser evitada? Se sim, qual a melhor maneira dos pais agirem para ajudarem seus filhos?


R: Buscar se informar, se esclarecer nas revistas, nos núcleos religiosos, estar ao lado do jovem participando do gosto dele, não de modo a restringi-lo quanto ao que ele vê, mas de modo a criar um senso crítico, fazendo com que ele libere a opinião dele com relação ao que ele está vendo, se ele acha legal, se ele acha que aquilo é durável, tende a permanecer. A gravidez na adolescência deve ser evitada porque ainda não se atingiu a responsabilidade, a maturidade física, emocional necessárias para se cuidar de uma criança como se deve? Como você pode passar os valores que você ainda não pôde administrar em você próprio? Como o jovem pode administrar a vida de uma criança se ele ainda não pode administrar a própria vida? (t)

 [2]  Como um professor de adolescentes pode orientá-los na prevenção da gravidez?


R: O orientador tem que ter acima de tudo o exemplo, passar para o jovem o bom exemplo para que haja confiança entre os dois, e todos os ensinamentos que ele quiser passar possa encontrar eco no educando, porque acima de tudo você tem que exemplificar, não só falar. Da mesma forma que os pais, ele deve procurar informações de qualidade na mídia para o jovem, fortalecendo o jovem. Fortalecendo para o respeito ao corpo, a vida. (t)

 [3] você poderia comentar qual deveria ser a posição dos evangelizadores, em relação ao esclarecimento ao jovem espírita, nas reuniões da mocidade e pré-mocidade?


 R:Da mesma forma que para os pais e para os educa-dores em geral pois a Doutrina Espírita tem um acervo muito grande de informações na área da educação, da educação moral, educação sexual para recorrermos, e também muitas mensagens trazidas pelos espíritos a respeito de desencarnados com desvios da sexualidade, relatos dolorosos que nos faz tentar sermos mais precisos no trabalho no bem pois só queremos a felicidade de quem nós amamos e sabemos que a influência dos que desencarnam tão dolorosamente nos desvios sobre os encarnados é grande e temos que estar atentos a esta subjugação mesmo que eles exercem em cima dos jovens imprevidentes que ainda não amadureceu, que ainda não buscou fortalece-mento moral para estes desvios. (t)

 [4] A mídia contribui bastante para esta mentalidade mais irresponsável quanto aos relacionamentos, não é mesmo?


R: Acho que a mídia contribui na medida em que o jovem não traga valores de casa, da família. Quando não impedimos que ele veja as coisas, mas ao mesmo tempo de sua parte você vem fazendo o seu trabalho baseado em valores, em conhecimentos, em informações de qualidade o grupo, a própria mídia influencia de uma maneira menos agressiva, porque na hora em que ele se colocar numa situação de risco ou mesmo de dúvida, com certeza os valores recebidos de pessoas que o amam terão mais peso do que os amigos ou os próprios meios de comunicação. Como dizem os espíritos, nós estamos no mundo, mas não precisamos necessariamente participara de tudo o que o mundo nos oferece no sentido em que gerará dor e sofrimento. (t)

 [5]  suponhamos um filho com 17 anos e uma namorada de 16...o filho pede liberdade para ter relacionamento sexual em casa. Como lidar com esta situação?


R:Você está consciente de que ele é sexualmente ativo. Eu deixaria. Desde o momento que eu sei que quer praticar, lá em casa é mais seguro. Eu não quero ver, eu não vou entrando. Eu vou bater na porta antes. Eu não tenho este tipo de preconceito. Eu esclareci as minhas filhas porque eu não quis que outro fizesse no meu lugar, como uma amiga irresponsável ou mesmo algum meio de comunicação e eu pudesse ter problemas mais tarde quanto a isto. Eu tenho um pensamento e não sei quanto ao pensamento dos pais da menina. Será que eles estão cientes de que ela é sexualmente ativa? Eu procuraria conversar com meu filho a este respeito porque eu estou respondendo pela educação que eu passei para os meus e não pela educação que os outros receberam. Isto não quer dizer que dentro da minha modernidade eu tenha forçado uma barra que já não estivesse na mente deles, porque eu sei que mais cedo ou mais tarde, essas questões teriam que ser discutidas e foi interessante que depois que minha filha já estava a algum tempo com o namorado e nós pais observamos muito as mudanças, percebi que só beijinhos e abraços seriam insuficientes e quando coloquei para ela foi assim muito emocionante, porque ela me abraçou e disse que já vinha pensando na prevenção de uma gravidez, de uma doença, mas achava que o meu discurso não seria aplicado em casa. Que ele seria só para os de fora. Foi um momento muito bonito que nos aproximou ainda mais. (t)

 [6]  O filho ou a filha adolescente, chegam com a noticia da gravidez... como se manifestar diante dessa notícia? o q fazer c essa situação?


R: Minhas amigas acham também que o meu trabalho no NVG - Núcleo de Valorização da Gravidez -, perderia um pouco o sentido quando fosse eu a envolvida. Eu não discordo delas no sentido de que seria um choque, mas eu pediria uns minutos para mim, nos quais eu me recolheria para poder trabalhar em mim esse acontecimento, mas acredito que minha reação seria normal, pois como disse nas minhas considerações iniciais, meu maior medo, medo mesmo, seria ver minhas filhas envolvidas com drogas de um modo geral ou uma doença, que saberia que haveria muito sofrimento, muita dor, além de saber que não fui omissa nas informações, nos esclarecimentos e que com certeza se foi consentido por Deus que tudo sabe, que tudo vê, acredito que grandes lições tiraremos dessa gravidez e prepararia meu coração para dar ainda mais amor, mais carinho, mais compreensão para minha filha e para aqueles que com certeza nos discriminarão, até que tanta informação não serviu para nada. Sempre acreditei que a minha vida em família diz respeito a nós e não aos outros, pois se eu pensasse diferente, provavelmente minha filha teria engravidado sem conhecimento nenhum. (t)

 [7]  sendo a gravidez um fato consumado, como lidar com os jovens pais, uma vez q o período de gravidez é tb de preparação pra pais e filho (reencarnante)?


R: Acreditamos que já havia um compromisso deste espírito reencarnante com esta família e que as vibrações de amor ou de rejeição de todos irão influenciar muito no espírito reencarnante de acordo com as vibrações poderemos transformar tristezas em alegrias. Tem uma mensagem de um espírito que pede a uma mulher que teria sido sua mãe, mas que por abortos e depois por métodos contraceptivos, ele não pode chegar até ela como seu filho, mas que agora ele teria oportunidade de nascer como seu neto, pois seu amor por ela é tamanho, que ele quer se ver nos braços dela, já que não pode chamá-la mãe, ele quer chamá-la "minha que-rida vovozinha". (t)

 [8] A gestante adolescente geralmente interrompe os estudos. Do ponto de vista espírita como deve ocorrer a educação da gestante?


R: Eu não vejo necessidade de se interromper um trabalho quando gravidez não é uma doença. A gravidez só dura nove meses. Sabemos que é complicado mas o ser humano precisa de apoio uns dos outros. Se adolescente não encontrar pessoas que digam para ela que ela está estragando a vida dela, que tudo agora vai ser muito complicado e a apoiarem, carregando-a no colo, fortalecendo este coração de mãe quanto ao futuro, sob o ponto de vista espírita, continuamos o aprendizado além da vida física. Por que interromper por uma gravidez? (t)

[9] Gostaria que você comentasse a respeito de gravidezes evitadas por casais a título de controle de natalidade impedindo assim a encarnação de espíritos e a estratégia da espiritualidade em aproveitar a situação dos adolescentes em relação a estes Espíritos q deveriam encarnar?


R:Sabemos que os espíritos precisam chegar de alguma forma. Estamos sempre torcendo de que esta forma seja planejada até com as adolescentes. Não gostaria de saber que eles chegaram por meios de não planejamento pela espiritualidade e venha a chegar até mim ou até meu irmão em humanidade, através do roubo, do assassinato, do homicídio, do estupro ...(t)

 [10]  Na adolescência, depois de ter feito de tudo para convencer uma amiga, na época adolescente a desistir do aborto, não consegui abandoná-la e a acompanhei até a clinica. Não consegui abandoná-la mesmo sendo o fato totalmente contra meus princípios. Por anos me senti cúmplice mas sempre me pergunto como poderia ter agido diferente!?....Qual a visão da doutrina neste caso?


R: Joanna de Ângelis nos diz que o passado passou, que não deveremos ficar paralisados pelos nossos equívocos ou porque não dizer, erros, porque da mesma forma que erramos, também acertamos, da mesma forma que odiamos, também amamos, e que sempre haverá um meio de ressarcirmos estes mesmos equívocos e que se você informou, procurou ajudar e não conseguiu, você fez a sua parte como amiga, e como amiga você continuou se portando. Sua amiga usou do livre arbítrio dela e tomou a decisão dela e você como amiga que era não a deixou sozinha neste momento. Você teve vá-rias oportunidades e demonstrou em todas a sua amizade e a sua lealdade. Quem sabe que tudo o que foi dito e no momento não foi aproveitado, não o terá sido mais tarde? (t)


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postado por preespirita